Aprender é como comer, diz Alícia Fernandez, psicopedagoga argentina, doutora em aprendizagem escolar. Para poder comer é preciso ter o desejo de…, poder se aproximar do alimento…, ter permissão para pegá-lo e mordê-lo; ao mastigá-lo o alimento perde a textura inicial e sua forma original, é desmanchado, triturado; ao ser engolido, é processado e mais uma vez se transforma; dessa transformação resulta um ser humano mais saudável, ou mais doente, dependendo do que se come. O que não serve…esgoto!

Aprender é assim! É preciso desejar e, só se deseja aquilo que se conhece. Ter o conhecimento por perto (acesso a livros, programas interessantes, viagens, etc.), o interesse e o exemplo dos adultos em proporcionar perguntas curiosas e respostas verdadeiras que instiguem mais curiosidade são indispensáveis à criação de desejo de aprendência. É preciso poder aprender, poder pensar; manipular o conhecimento é diferente de ouvir alguém dizer, discursos não educam, vivências e exemplos sim, é só lembrar do que não lembramos, de tudo o que não aprendemos dos muitos discursos que ouvimos na escola. E, como era chato!

Às vezes, não deixamos as crianças pensarem, respondemos por elas, terminamos frases, pensamos por elas… Aprender é viver, é errar e pensar sobre o erro, é mais!

Ao vivenciar as experiências o aluno pode montar e desmontar hipóteses, refletir sobre suas ideias, construir conceitos; de verdade aprender.

No final do processo, se houve alguma informação inútil, é descartada. O que fica é muito trabalho mental, conhecimento construído com desenvolvimento cognitivo e acesso aos valores, afetos, sensibilidade, consciência, mas, principalmente autonomia.

A criança, assim educada, aprende a ser crítica e a querer saber tudo, aprende a achar o conhecimento porque, na escola, não é a professora a única a trazer a informação, muitas fontes são utilizadas: outras pessoas, internet, livros didáticos, livros de história, experiências, passeios, viagens…

Quem não deseja um filho ou filha inteligente?

Pois é, escolher uma boa escola é um bom começo, mas não basta. E o resto do tempo? Se for preenchido com esporte, brincadeiras e convívio com outras crianças e com a família é bom.
Mas, e se for preenchido com a televisão? Se for com desenhos realmente infantis, que instiguem a curiosidade, documentários, ou filmes dos clássicos infantis, ainda vá.

APRENDIZAGEM X TELAS

Filmes ou games que valorizam a violência, a banalização da morte e o pior a individualização, o egocentrismo, a alienação e a inércia corporal, são geradores de problemas.

Pensamos que uma criança diante de um vídeo game está desenvolvendo sua inteligência, será? Já pararam para pensar que o jogo já vem programado, que a criança não tem poder sobre o programa, que só o que precisa é de agilidade manual? Já repararam na rapidez das imagens, no barulho e no excesso de cores? Observe a criança quando joga. Resumindo, jogar vídeo game serve para desenvolver agilidade manual e rapidez de decisão, pois as estratégias estão todas programadas. Pesquisas recentes demonstram que crianças expostas a games em excesso são crianças hiperativas e/ou desatentas na escola e aí, dá-lhe medicação. E os pais pensam: Como pode ser tão ágil e inteligente em casa e ter tanta dificuldade na escola? Boa pergunta!

Criança precisa de atenção, de colinho, de escola boa, de bons e instrutivos filmes e bons e interessantes jogos e, principalmente, de muitos e diferentes amigos. Experimente dar uma olhadinha nos jogos de sua criança, olhar os programas que ela anda olhando e seja você também um crítico da formação moral, corporal, afetiva e cognitiva. Participe mais, jogue com ela, ofereça também os jogos mais calmos, como, jogo de damas, o jogo da velha, um jogo de cartas, um dominó. Experimente colocar horário e limitar o acesso aos games e aos filmes de violência.
Não podemos negar os games, eles estão aí e vieram para ficar, mas equilibrar, dosar, oferecer oportunidade de aprendizagem diversa se faz muito necessário.

LEITURA/ ESCRITA X MOVIMENTO

Crianças hipercinéticas terão dificuldades para ler. Textos são escritos com letras que não se mexem (mundo parado, estático), mesmo o hipertexto, que nos leva de um lado a outro, é escrito com letras. A criança precisa ter essa tolerância que os games de hoje e os vídeos, cheios de muita ação e barulho, não oferecem. A leitura é a Professora eterna de todos nós, necessitamos dela para sempre.

Se para ler, crianças hipercinéticas, têm problemas, imaginem para escrever que é uma atividade mais lenta e que exige muito mais, pois, é preciso elaborar o enredo, pensar nas palavras e em como são escritas, pontuar, encadear as ideias, etc.

Se no futuro iremos captar as mensagens de uma outra forma e a leitura e a escrita irão se modificar, ainda não sabemos, por ora, cabe a nós nos preocuparmos com as possibilidades que temos para educar nossas crianças.

Diná Araujo Vaucher
Orientadora Educacional
Diretora Pedagógica